Férias! *barulho de rojões*

    Olá, internet! Ai, que gostosinho estar de férias. Sentia que, a qualquer momento, ia morder alguém no meu trabalho. 

"olá, bom dia!"
"BOM DIA PRA QUEM, MINHA SENHORA?!?" 

      

    Final de setembro vou viajar para o Rio de Janeiro. Como eu amo aquela cidade! Comemorarei meu aniversário na praia pela primeira vez e também tô ansioso pra mergulhar no mar novamente. Não consegui viajar para o litoral nos últimos seis anos.

    Toda vez que me olho no espelho, imito o sotaque carioca. Lá eles levam muito a sério o "pra gringo é mais caro" e olha que nem sou de outro país, só sou do interior de São Paulo mesmo (o que, particularmente, acho que deixa as coisas no RJ mais caras do que se eu fosse norteamericano). Não quero inflação nos preços e PRECISO emular que sou de lá. Até a data da viagem estarei perfeito na atuação. Botarei os pés no calçadão de Copacabana e, ao fundo, vai tocar algum tema de alguma Helena de alguma novela do Manoel Carlos pra mim. O grande empecilho é que eu tenho muita cara de Chico Bento no Shopping.

      *****

    Ontem eu li um artigo maravilhoso, o Your Perception Of Time Is, In Fact, Warped (Sua percepção do tempo está, na verdade, distorcida). Recomendo a leitura. Se você não fala inglês, bota esse navegador pra traduzir a página. 

    Minha vida passou VOANDO nos últimos 15 anos e ter um smartphone no bolso com as redes sociais disponíveis 24h por dia nesse período não foi mera coincidência: esse vício em telas desconfigurou minha existência todinha, que inferno. Gente, eu também não sei mais aceitar o tédio e ficar à toa parece um tormento. Que período ridículo do capitalismo onde cada segundo precisa ser ocupado por absolutamente qualquer coisa que renda dinheiro pra alguém (e esse alguém não é você e muito menos eu). Tô com os braços doloridíssimos de nadar contra essa maré de hiperconexão. Mas tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Sigo firme.  

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meu medo de morrer ainda vai me matar

    Quem me vê falando, aos quatro ventos, expressões como "Meu Deus!", "Nossa Senhora!" "Deus me livre!" "Jesus!" não imagina quanto sou profundamente ateu. Fui criado em uma família catolicíssima que marcou meu vocabulário a ferro e fogo.
    Aparentemente, crer em uma força superior é essencial pra aceitar a morte. Vai com Deus! E a pessoa vai mesmo, toda felizona! Acho tudo. Vida eterna, reencarnação, planos espirituais. O prolongamento do que vivemos aqui traz certo conforto pra coração e mente humana. Pra mim é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte. Fico melancólico - pra não dizer desesperado - quando lembro que, um dia, não existirei em formato algum, que perderei a consciência de tudo. Meu deus, que horrível! Eu sou muito fã da consciência.


    Durante boa parte da adolescência e vida adulta eu fui obcecado por vampiros. Lia tudo sobre eles,  vi uns filmes bem bacaninhas, joguei RPG sobre o tema. Hoje entendo meu fanatismo. Vampiros são imortais nesse plano material, além de serem belíssimos e sensuais: tudo o que eu gostaria de ser!
    O que me resta é a aceitação da condição humana. Criei uns hábitos pra adiar minha partida, pelo menos. Larguei as drogas, entrei pra academia e comprei um caríssimo par de tênis pra correr (gente, sair pra dar uma corridinha tá super na moda!) Já dizia Raul Seixas: eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Vou cuidar dessa carcaça pra conseguir reclamar desse medo por mais uns 50 anos. Deus me livre morrer jovem.

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viralizei no twitter e criei um blog

    Era a manhã da última sexta-feira. Abri os olhos e, ainda na cama, estava scrollando o feed do Instagram. São tantas horas diárias na frente do celular que eu tenho medo de fazer os cálculos do quanto tempo de vida eu perdi e entrar em colapso mental. Essa angústia me acompanha há bons anos, me corroendo de dentro pra fora, sempre analisando como eu (e o planeta todo, convenhamos) tô refém das bigtechs, deixando que minha memória, atenção, individualidade e vida escorram pelos meus dedos. Com essa merda toda martelando na minha cabeça, postei um tweet que viralizou:

17 mil likes: ninguém aguenta mais essa sensação

    Eu não nasci ontem, tô na internet faz mais de duas décadas: vivi tempos ótimos com conhecimento e entretenimento na blogosfera mas, em algum momento, fui tragado, mastigado e transformado numa bosta massa sem formato pelas redes sociais. A gente tá tão imerso em três ou quatro apps - dominados por bilionários - que esqueceu que existem outros caminhos pra seguir no vasto mundo online. 
    Ter viralizado no Twitter justamente por causa de uma dor que me incomoda tanto foi o combustível pra estar aqui hoje criando esse blog. Incrível como toda a performance das redes sociais nos cobram uma perfeição absurda. Mesmo aqui, sabendo que não serei lido (ou serei?), fico ansioso por não ser o melhor escritor e pela possiblidade de passar vergonha (???)

    Ahh, o nome Tem alguém lá fora? brinca com a pergunta de quem tá tão alienado dentro das redes sociais que nem sabe mais da existência de blogs e indie web.
E, sim, tem alguém aqui fora.


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